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Guimarães Rosa convida Juscelino a aplaudirem a permanência, a beleza, a vitalidade do nome Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri.

Diadorim, os leitores e as leitoras de Grande Sertão: Veredas conhecem a luta, a vida, o engenho e o proceder envolvidos na liquidação do Hermógenes.

Vida longa à UFVJM!

Reunião extraordinária do Conselho Universitário (Consu) da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) realizada na tarde desta quinta-feira, 17 de novembro, com ampla mobilização, deliberou que o plebiscito sobre possível mudança de nome da Universidade será paritário, isto é, os votos das categorias de estudantes, técnicos administrativos e professores terão peso de um terço (33,33%) por categoria de votantes.

 

Na última reunião do Conselho Universitário, houve a indicação de o que plebiscito seria avaliado segundo a proporcionalidade de 70% para o voto dos professores, 15% para o voto dos estudantes e 15% para o voto dos técnicos administrativos. A paridade na eleição da reitoria da UFVJM e da direção das unidades acadêmicas foi uma conquista da comunidade universitária em 2010, e havia um forte tendência por parte do Consu em optar, no plebiscito sobre a mudança de nome, pela proporcionalidade 70/15/15, divisão que ainda rege, hierarquicamente, a própria composição dos Conselhos dentro da Universidade.

UFVJM

Ilustração de Poty

Para que o nome se mantenha
(Por Mariazinha, Grupo Aranã de Agroecologia)

 

Universidade Federal dos Vales
Jequitinhonha e Mucuri
Esse nome representa compromisso
Com a realidade daqui

 

Temos muito a ver com isso
Quem duvida ignora
Que nosso nome é nossa cara
Traduz nossa trajetória
De mãos dadas com os Vales

 

Outro nome?
Qual a sua utilidade?
Isso não é um mero detalhe!
Vamos refletir com sinceridade

 

Nosso nome é definição
Das nossas prioridades
De nos dedicar à região
Com orgulho de verdade

 

Qual a cegueira
Que impede de reconhecer
Que nossa gente guerreira
Sempre-viva
Produz tanta riqueza
E fica de fora da partilha?

 

A Universidade é dos Vales!!
Sendo o nome mudado
O ideal fica alterado

 

Não vamos deixar de lado
A nossa responsabilidade
Com o povo desta terra
Do qual também somos parte

 

Assim o somos de nascença
Ou por intensa convivência
E se temos dignidade
Vamos manter resistência

 

E com muita coerência
Vamos tomar atitudes
E indagar com inquietude
Qual a serventia de que o nome mude

 

Quem aprende e quem ensina,
Que em resumo somos todos,
Temos o dever de contrariar
Essa mudança imposta de cima

 

Pois nossas Lutas deslegitima
Desmerece nossos Vales
Desrespeita a nossa História
Dilacera nossa Identidade

Carta Aberta

Aos Servidoras/es do Estado Brasileiro da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) – MG

Professoras/es mestres e doutoras/es do Corpo Docente da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM)

Funcionárias/os mestres e doutoras/es do Corpo Administrativo Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM)


Prezadas Senhoras
Prezados Senhores

 

Nós, sociedade civil e política do Vale do Jequitinhonha, atenta à condução dos destinos de nossa universidade, particularmente às iniciativas da Reitoria 2010-2012, vimos lhes apresentar nossas ponderações quanto à proposta plebiscitária em pauta na UFVJM, a qual emerge num momento que nos parece pouco oportuno, em razão do recente conflito existente entre atual Reitoria e Povo Jequitinhonhense. (anexos)

 

Nesse processo de avaliação ponderamos, com a racionalidade que o tema sugere, questões que merecem reflexão de todos os envolvidos. Algumas dessas posições já se encontram postas no interior da própria universidade, a saber:

 

1. Uma das correntes internas desta Universidade, apropriadamente, indaga em seu texto publicitário: “Por acaso, outras universidades que se expandiram mudaram de nome? Por ex: UFSJ, UFV, UFMG?” e dirigindo-se ao cerne do problema questiona o ser mesmo – a essência – da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri: “Os Vales do Jequitinhonha e Mucuri não foram a justificativa para a criação da Universidade? E o nosso papel social com a região?”. Aqui, com os créditos devidos, fazemos coro à corrente já mencionada quando ressaltamos a imensa função social de uma universidade sediada em regiões marcadas pelos problemas como os que caracterizam os dois Vales.

 

2. O plebiscito proposto pelo Reitor Prof. Dr. Pedro Angelo A. Abreu, a ocorrer segundo o revelado em texto veiculado pelo blog www.ufguimaraesrosa.wordpress e na modalidade ali expressa, já apresenta problemas desde sua concepção, cujas orientações contrariam a prática desse instrumento, a começar pela proposta em si: ao invés de se circunscrever a um único tema, a proposta de plebiscito que ora nos ocupa amplia as escolhas quando propõe que ali se decida acerca de 3 temas, se considerados ou o antropomorfismo ou o georreferenciamento. Assim: a) necessidade de um plebiscito ou não; b) substituição do nome UFVJM por nome de um político; c) substituição do nome UFVJM por nome de um intelectual. Não há a possibilidade de se escolher o nome atual, isto é, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM).

 

Sob o nosso juízo, os nomes dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri em nossa Universidade não têm causado qualquer impasse e, por isso mesmo, cremos que a proposta plebiscitária é totalmente dispensável. Mais serviria ao Brasil se o tempo precioso dos servidores, já tão atarefados em tempos de produtivismo acadêmico, não fosse diluído em plebiscito tão desnecessário quanto prejudicial às relações sociais que devem, necessariamente, existir entre qualquer universidade e sua população circundante.

 

Ademais, importa lembrar que se trata de modalidade plebiscitária inédita no Brasil, uma vez que o seu primeiro propósito é tão somente a incorporação de antropomorfismos inexistentes nas Universidades do Estado Brasileiro e a extração do georreferenciamento que hoje a qualifica, aliás, dentro do critério adotado pela União desde a Universidade do Brasil, hoje, Universidade Federal do Rio de Janeiro.

 

3. Chamam atenção a extemporaneidade e a questionável teleologia subjacente à proposta plebiscitária ora em debate.

 

Face ao exposto, cremos que a proposta plebiscitária consegue ser, paradoxalmente e a um só tempo, despropositada, caótica e prejudicial aos Vales do Jequitinhonha/Mucuri, regiões que fundamentam a criação da UFVJM e sobre a qual paira a ameaça de extinção. Outro nome? Tudo começará do ponto zero. Em seus 6 anos, nada foi fácil. V. Sas. bem o sabem.

 

Por outro lado, perguntamos sobre a legalidade e real necessidade de mudar o nome de uma universidade cuja criação requereu, além de uma longa e árdua luta, a redação de projeto de lei submetido e aprovado pelo Congresso Nacional. Em face deste detalhe de total importância, qual seria a resolutividade de um plebiscito que fere o direito administrativo e o princípio de Estado?

 

De todo modo, os Vales votam NÃO. E vêm até V. Sa solicitar apoio esperando receber tanto sua compreensão quanto adesão à luta dos Jequitinhonhenses e do Mucuri, quando pedimos que nos representem neste processo optando pelo NÃO.

 

Que se juntem todos os que anseiam que os Vales do Jequitinhonha/Mucuri superem suas mazelas alimentadas pela lassidão de um Estado omisso. Juntos, podemos lutar para reduzir nossas dificuldades e alcançar os avanços sociais de que nosso povo tanto reclama e necessita.

 

Como se sabe, ao nos faltar a educação superior pública e de qualidade, as chances de desenvolvimento social se esvaem por nossas mãos. O que pretendemos é que o Estado Brasileiro, que pouco contribuiu para o desenvolvimento social dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, não venha agora lhes retirar a única iniciativa governamental significativa em mais de 200 anos.

 

Diga sim ao resgate da dívida social do Estado Brasileiro para com os povos do Vale e NÃO ao plebiscito do Sr. Reitor Prof. Dr. Pedro Angelo.

 

Os ventos dos Vales ecoam um só brado no Jequitinhonha e Mucuri: NÃO AO PLEBISCITO!

 

Na expectativa de sua compreensão para com a nossa luta e de sua ciência quanto à razão que nos move, somos-lhes agradecidas.

 

Maria do Rosário Sampaio
P/ Movimento “A UFVJM é Nossa!”
P/ Grupo de Mulheres Mobilizadas pela Educação Superior em Capelinha – Alto Jequitinhonha
Maria do Carmo Soares
Associação de Mulheres de Capelinha
Maria de Jesus
Associação de Mulheres de Chapadinha e Região
Maria Soares Pereira
Associação Rural de Santo Antônio do Fanado
Elza Aparecida Sampaio
Associação Rural de São Bento Cisqueiro
Vicência Luiz Magalhães
Associação de Artesas de Capelinha
Movimento Muda Capelinha
Maria Marta Sampaio
Pedro Soares
Conselho Comunitário do Cisqueiro
Sindicato Servidores Municipais
Vicente Cordeiro
Sindicato dos Trabalhadores em Indústrias Extrativas de Capelinha e Região
Terezino Cordeiro de Oliveira

UFVJM, UFD, UFJK, UFGR? Sobre a troca de nome…

Por Arthur Rocha Gomes – Estudante de Farmácia UFVJM Coletivo Roda Viva

 

Fico me perguntando quais são os argumentos, propostas e/ou vantagens das correntes que estão sendo criadas nesse site de redes sociais [Facebook] em torno da mudança de nome da nossa Universidade. Sei que muitos não têm conhecimento do que vou falar aqui, e não tenho nada pessoalmente contra os “líderes” dessa “campanha”, apenas quero mostrar os pormenores desse plebiscito que está por vir.

 

Espero sinceramente que esses argumentos não sejam os que eu ouvi passando por esses corredores do Campus II: “ah, sempre achei esse nome UFVJM meio estranho, UFD é mais bonito, mais apresentável”… Seria cômico se não fosse trágico…

 

Talvez o claro interesse político que gira em torno dessa simples troca de nome poderia já significar para muitos um motivo óbvio para votar contra essa mudança. Para quem não sabe, ao mudar o nome da Universidade, é ABERTA uma nova Universidade, de forma que os cargos anteriormente ocupados por pessoas aqui dentro só ficariam em um papel na história, podendo assim existir uma nova reeleição em alguns setores (Na UFVJM alguns cargos seguem o mesmo sistema de eleição para presidente, podendo haver somente uma reeleição de um determinado candidato, ou seja, no máximo 8 anos no poder). Fica aí a dica clara para os bons entendedores sobre a proposta da troca do nome…

 

Mas, pela pouca experiência que tenho com política estudantil universitária, sei que muitos não irão se importar com esse motivo, simplesmente o acharão “sujo”, mas continuarão achando “UFD” ou “UFGR” ou “UFalgumacoisa” mais “bonito” que UFVJM… Soma-se ainda o pensamento totalmente individualista com que somos obrigados a conviver de alguns estudantes, lamentável, porém “nu e cru”.

 

Pois bem, para esses que não estão nem aí ou nem leram o que eu disse, saltaram metade do texto e já estão entediados, vai aí mais algumas dicas:

 

– Perda da identidade: Após 6 anos como UFVJM começamos a conquistar um espaço, pequeno espaço, no cenário nacional. Vide reportagem feita em uma revista de amplo acesso nacional (e que foi publicada por muita gente nesse mesmo site) em que nossa UFVJM aparecia entre as 10 mais bem colocadas dentre as universidades “pequenas” do país. Para quem tem dimensão de quantos centros de ensino superior foram criados recentemente em todo Brasil, sabe a importância desse “título”. Agora o que fazemos? Trocamos de nome, perdemos nossa identidade, e tudo que conquistamos até agora é jogado por água abaixo, pois é instituída uma nova universidade e todo peso que a sigla UFVJM havia conquistado de nada valerá mais. Teremos que recomeçar do zero (mais uma vez…).

 

– Vales do Jequitinhonha e Mucuri: Sinceramente, acho que todo estudante ao ingressar em uma instituição federal deveria saber ao menos boa parte de sua história e tudo o que ela representa, e não apenas se preocupar com o “status” do curso que faz ou que a própria instituição lhe proporciona. A UFVJM foi criada para os Vales. Feita para ajudar a combater a pobreza e o desequilíbrio social que são tidos como gigantescos em uns dos vales mais pobres do país. O combate seria acometido com todo o investimento que a universidade traria e os projetos sociais promovidos pela “massa pensante” que viria a estudar aqui. Acho hipocrisia demais sermos criados em função de uma coisa e por um claro e simples gosto pessoal jogar tudo ao vento.

 

Imagino também que todos devem ter conhecimento que não apenas ela foi criada PARA os vales, mas também pelos VALES. Quantos filhos dessa terra já passaram e ainda passam por aqui e que construíram o que somos hoje? Não acham isso importante? Então somem a isso os investimentos do governo federal que vieram pelo único motivo de sermos o “vale da pobreza”…

 

Agora cuspimos no prato que há muito já comemos, sem nem pensar no que estamos fazendo…

 

Na boa? Sou Diamantinense e Filho do Vale, e não estampo isso no peito apenas na hora de dizer que tenho o melhor Carnaval do planeta, ou que moro na cidade onde nasceu JK, ou ainda pra falar que me pinto de azul para descer a rua da Glória e curtir uma das melhores festas universitárias do país… Estampo no peito agora que tenho uma tristeza maior do planeta e que me pinto das cores da vergonha com tamanha injustiça que iremos fazer com essa terra que me acolheu e me ensinou o sentido de tantas coisas…

 

Pra finalizar e não com intuito de polemizar ainda mais (mas já polemizando) gostaria sinceramente que todos que leram pelo menos parte desse post que entrassem no link a seguir e lessem parte da letra da música, pra ver que não sou só eu que penso assim:

 

Fiz vestibular para entrar na UFVJM, e pretendo formar na UFVJM! E não em outra Universidade.
“Vale que vale cantar
Vale que vale viver
Vale do Jequitinhonha
Vale eu amo você…”
Mark Gladston (Verono)

 

http://letras.terra.com.br/rubinho-do-vale/1671186/

Xangai

Amazonas é o Negro
Solimões vei’lhe encontrar
Tocantins se diz encheu
Pororoca em Macapá
Cumê pitu ‘té intupi
Com tucupi e guarani
De alimentar.

Carinhanha com Jequitinhonha
É misturar o São Francisco
Com o Mucuri.

Doce seria
Parnaíba Canga
Paraibaiano
Para o Maranhão.

Angelim secou
Pardo é um boqueirão.

Rio de Contas não dá conta
Rio do Rolo já rolou
Rio da Dona já dançou
Sorrio de tudo
E eu não rio mais.

Arlindo Daibert, “Diadorim”

 

O arrojo do rio, e só aquele estrape, e o risco extenso d’água, de parte a parte. Alto rio, fechei os olhos. Mas eu tinha até ali agarrado uma esperança. Tinha ouvido dizer que, quando canoa vira, fica boiando, e é bastante a gente se apoiar nela, encostar um dedo que seja, para se ter tenência, a constância de não afundar, e aí ir seguindo, até sobre se sair no seco. Eu disse isso. E o canoeiro me contradisse: — “Esta é das que afundam inteiras. É canoa de peroba. Canoa de peroba e de pau-d’óleo não sobrenadam…” Me deu uma tontura. O ódio que eu quis: ah, tantas canoas no porto, boas canoas boiantes, de faveira ou tamboril, de imburana, vinhático ou cedro, e a gente tinha escolhido aquela… Até fosse crime, fabricar dessas, de madeira burra! A mentira fosse — mas eu devo de ter arregalado dôidos olhos. Quieto, composto, confronte, o menino me via. — “Carece de ter coragem…” — ele me disse.

 

(ROSA, João Guimarães. Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006, pp. 105-06.)

 

Imagem: Arlindo Daibert, “Diadorim”. n. 3. déc. 80. Aquarela, pastel, grafite e colagem de papel sobre papel. 32,5 x 36 cm.